quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

É válido mudar por alguém?


Todo dia é diferente do outro. Uns amanhecem ensolarados, outros mais chuvosos. Mesmo um dia chuvoso não é igual a outro chuvoso. Uma folha diferente cai, um vento mais forte sopra ou deixa de soprar. Mesmo que, hipoteticamente, um dia possa ser climaticamente igual ao outro, a gente sempre observa e sente diferente. Porque hoje eu sou diferente do que fui ontem. Todo dia é diferente, todo dia a gente muda. Milimetricamente. Pode ser o humor, o sentimento, a vibe, a preocupação, a falta dela. "Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia", já cantava Lulu Santos.

Mas a gente também muda, e muito. Não essa simples mudança de humor, de um dia estar alegre, e no outro triste, com preguiça ou com empolgação. Digo a nossa essência. O nosso jeito, repleto de defeitos e qualidades, que se nem nós mesmos costumamos conhecer e dimensionar, imagine, então, os outros.

Quando se pensa como se era há dois, três anos atrás, a gente nota. Uma reação à uma situação que hoje faríamos diferente. Se pra pior ou melhor, tanto faz, mas faríamos muita coisa diferente. Por vezes dá até aquela vergonha no íntimo: como eu pude agir assim? Ah, se fosse hoje...
Um fato que se constata é que essa mudança costuma acontecer por causa de situações adversas que nos fazem repensar, ou até mudar automaticamente, como se a mente e o corpo dissessem: Assim não dá mais. Mas é um acordo entre você e o maior conhecedor de você mesmo: você mesmo.

Eis o ponto que quero chegar: vale a pena mudar por causa de alguém? Ou, ainda: é possível mudar, REALMENTE, por causa de alguém? Me refiro a situações como um namorado que te diz: se você não mudar esse seu ciúme, acaba tudo. Sua mãe quando diz: se você não parar de chegar tarde das festas, não mora mais aqui. Seu irmão que te ameaça: se você não for mais compreensiva comigo, não te dou carona pra faculdade. Me parece que essas mudanças "emergenciais", quase que chantagens, não são reais. Se acontece de você "mudar", na verdade, não passa de uma máscara temporária. O namoro acaba, mas eis que no novo namoro o ciúme ainda prejudica. Você vai morar com os seus avós, e com um certo tempo, já está chegando sempre tarde em casa. Você ganha as suas caronas, mas mês que vem já as perde de novo pela insistente falta de compreensão.

A mudança, aquela real, acontece por você e com você. Porque VOCÊ percebe que assim não dá. Que quer viver melhor consigo mesmo e com os outros. Quer relações mais leves, mais fluidas, mais gostosas de se sentir. Não é pura birra de algumas pessoas que dizem: 'Sou assim e não mudo por ninguém. Quem quiser que me aguente. Os incomodados que se retirem'. E acredite, eles se retiram, mais cedo ou mais tarde. Não só as pessoas, mas sentimentos bons, momentos especiais. Falo dessa mudança que não acontece do dia para a noite e nem por ninguém. O outro pode te impulsionar, te inspirar, te mostrar o quanto vale a pena investir nisso. Mas sempre foi e sempre será entre você e seu maior confidente, que tanto te quer bem: você!

2 comentários:

  1. Acordar com uma chuvinha boa e ter um texto desses pra ler é bom demais! Teus textos sempre me acrescentam alguma coisa, e sempre que venho até esse cantinho de amor do ciberespaço, saio com algo novo. E muitas vezes, parece que teus textos aparecem na hora certa. Você consegue falar da delicadeza da vida com um toque só seu, convidativo e gostoso de ler.

    Abraços, menina linda, continue assim! <33333

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  2. Victinho, você não sabe como isso me alegra, ainda mais vindo de uma pessoa que tanto gosto de admiro. Um abraço forte! <3

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