sábado, 7 de junho de 2014

Pelo direito de gritar "Gol" na Copa, sem me sentir culpada ou ser chamada de alienada

Não é fácil ver o nosso país , o país onde eu moro, com suas diversas mazelas, com toda a corrupção e mil problemas que todos nós sabemos quais são. Todos os dias, quando saio para trabalhar e estudar, saio com medo de ser assaltada e com pertences muito bem escondidos; e olhe lá! Só levo o que é realmente necessário. Tenho medo quando faço meu percurso a pé, medo de ser abordada por ladrões, como já fui algumas vezes, inclusive. Dói saber dos enormes problemas na educação, das escolas precárias, da falta de escolas, do ensino básico precário. Dói ver crianças e adultos nas ruas, sem um prato de comida e um colchão para descansar. Eu também SINTO o problema do Brasil, suas carências em muitos aspectos. Nós pagamos uma quantidade absurda de impostos todos os dias, dinheiro esse que nossos governantes deveriam aplicar naquilo que prometeram durante as campanhas eleitorais. Não sou filiada a nenhum partido ou corrente ideológica, critico um fato real independente de posição política: o governo é péssimo, as condições são penosas. O dinheiro público, quando investido, é pessimamente aplicado. Gastos exorbitantes, desvios de verba, prazos que são quase sempre utopia. 

Mas eis que uma Copa do Mundo será realizada no Brasil, com todas essas condições. Estádios construídos e reformados custando valores exorbitantes, por cima de grandes mazelas sociais que deveriam ser prioridade. Mas deveriam ser prioridade DESDE sempre, e não apenas porque vamos receber esse evento. Há dinheiro suficiente para fazer e mudar muita coisa, o problema é que isso não é feito. Mas toda essa crítica, todos esses protestos, não devem ser feitos contra a SELEÇÃO, contra o evento Copa do Mundo, que existe há muitos anos, mas contra o governo brasileiro, contra a má gestão, contra toda a sujeira cometida usando os cofres públicos, por cima de todas as necessidades sociais.

Eu não sou contra a Copa, sou contra tudo isso que falei. Por isso que eu digo, VAI TER COPA, e eu vou gritar gol quando o Brasil o fizer. Vou me vestir com as cores, vibrar, gritar, roer as unhas, ficar nervosa e eufórica, como sempre fiz, porque além de tudo, sempre gostei de futebol. Sou admiradora dos esportes. Desde pequena jogava futebol com amigos, passei a jogar no colégio, sempre torci pelo Flamengo. Futebol sempre mexeu comigo. Sempre tive essa paixão. Acompanhei as copas desde que me entendo por gente. Acordava até de madrugada naquela copa de 2002, no Japão, para não perder nenhum jogo. E eu tinha 8 anos. Lembro como se fosse hoje da felicidade de ver o Brasil Penta. Alegria de criança, literalmente. Esporte aliás, é um ótimo negócio: diminui a violência, tira crianças das ruas, promove diversos benefícios. Por isso, quando eu gritar gol, falar que Vai Ter Copa, entenda: não sou alienada, não sou cega para as milhares de deficiências presentes de forma bem clara no nosso país. Não vou protestar, vou estar em casa torcendo, e nas ruas trabalhando. Meu protesto vai ser na urna, e vou continuar reclamando e sofrendo com as péssimas condições da nossa nação. Mas vou torcer, e muito. Quero ver o Brasil hexa. Estou muito ansiosa, inclusive.