sábado, 26 de abril de 2014

A encantadora surpresa de sexta à noite

Ontem assisti o filme "Questão de Tempo" e fiquei encantada. Com uma sensação boa, leve, feliz, aconchegante. Um filme lindo e simples, que mostra a beleza das pequenas coisas de uma vida comum, como é a vida da maioria das pessoas. A vida em família, a vida no casamento, a correria no trabalho e as pequenas coisas que alegram nossa rotina. 
Mas não é uma simples comédia romântica ou uma pura história bobinha de amor. Nos apresenta uma forma diferente de viver e encarar nossos dias. Como torná-lo mais feliz, mais vivido. O protagonista começa a aprender esses pequenos detalhes que transformam tudo quando obtém o poder de voltar no tempo, de reviver situações de sua vida. A partir daí, em um certo ponto, ele passa a viver duas vezes o mesmo dia: a primeira vez, mostra como vivemos de modo automático, na ansiedade,  na correria, nos problemas, na cegueira para as coisas e as pessoas que estão a nossa volta; e a segunda vez, curtindo o lado bom desse mesmo dia, fazendo piada com os problemas, fazendo nosso amigo rir em situações difíceis, olhando os lugares lindos que passamos nesse frenesi louco, cumprimentando e sendo gentil com o caixa, e chegando em casa dizendo que foi "um dia realmente muito bom", ao invés de "um dia realmente cansativo e pesado".
O filme abre os olhos para esses pequenos detalhes que mudam tudo, e que não é utopia, ficção, ou besteirinha de filme de amor. É realmente uma verdade, ao alcance de todos nós. Um simples sorriso e um olhar diferenciado/positivo sobre os acontecimentos nos ajudam a enxergar o real valor da vida. Tudo muda quando a gente muda nosso modo de ver e agir. E não precisa ser através de atos grandiosos. Um sorriso, uma palavra de carinho, um ato de afeto com quem gostamos. Isso muda tudo. E não é autoajuda. É verdade.

P.S: A trilha sonora faz questão de aumentar o encanto. In Love (na minha opinião, a versão da música no filme com Jon Boden, Sam Sweeney e Ben Coleman ficou muito melhor que a versão original com a Ellie Goulding).



domingo, 20 de abril de 2014

No meu tempo de criança...

(Foto: Reprodução/loucodorgado)
Parece que fazem muitos anos, muitas décadas. Parece pelo fato da minha infância ter sido bem diferente da infância das crianças de hoje. É impressionante como em tão pouco tempo, tanta coisa mudou sem que a gente nem se desse conta. Só me dei conta dessa mudança toda vendo como as crianças hoje em dia se divertem, e comparando com a forma como eu me divertia. E como mudou!
Lembro nostalgicamente dos finais de tarde e noites no condomínio que morava. Era sagrado: cerca de vinte crianças dali se reuniam pra brincar de tudo que envolve correr, pular, se esconder, jogar bola, e se sujar. Sujar muito.  Pega-pega, esconde-esconde, joão-a-trepa, bandeirinha, futebol, vôlei, pique-esconde... Eram muitas. Como recompensa pelo nosso imenso esforço de se sujar e brincar de quase tudo, a festa era: dindin. Era uma alegria e uma bagunça sem tamanho. Juntávamos nossas moedas e comprávamos dos mais variados sabores, era o ápice da felicidade infantil.
Lembro com muito carinho dessas aventuras. Carinho e saudade.

Hoje a diversão é bem diferente. As crianças parecem não brincar tanto na rua, nos condomínios. Entra também a questão da segurança. Mas boa parte dessa alteração se deve às inovações tecnológicas cada vez maiores e mais acessíveis. E mais exigida e desejada pelos pequenos. Tablets, celulares, Xbox, nomes que eu até desconheço. Essa criançada de hoje sabe mexer em tudo, e cada vez mais cedo. Não sei até que ponto isso é ruim ou bom. Mas falo essencialmente da mudança grandiosa que aconteceu em tão pouco tempo. Minha infância me parece mais feliz que a de hoje, mas eu não vivenciei a que acontece agora.
O fato é: bateu aquela saudade de tomar cinco dindis de sabores diferentes depois de horas brincando com todos os amiguinhos. E suja de areia.

domingo, 13 de abril de 2014

Aos seus 288 anos

E apesar dos pesares, eu amo essa cidade...
(FOTO: REPRODUÇÃO/NOPATIO)
Fortaleza. Terra do sol. Terra do mar. Terra da violência. Terra da falta de estrutura.
São contrastes intensos, e sentimentos diferentes. Nasci, cresci , me criei e vivo até hoje nessa cidade. Confesso que já gostei mais, que tive orgulho de abrir a boca e dizer: Sou de Fortaleza, moro em Fortaleza, vivo onde você passa férias. Também não cheguei ao oposto, mas hoje tenho bem menos orgulho, ou abri meus olhos com o tempo. Mas o fato é que essa cidade nunca esteve tão mal. A palavra chave que estraga tudo é, principalmente, violência. Se você percorrer as ruas da cidade, interrogando as pessoas sobre o que elas mais detestam aqui, a grande e massiva maioria dirá: a violência. Ninguém sai de suas casas com sensação de segurança. É assalto, é homicídio, é latrocínio, é tudo que envolve violência. Mas também paro pra refletir um pouco: quem transformou tudo isso (não uma transformação radical, afinal sempre houve violência, mas não em índices tão alarmantes) não foi a cidade em si, mas nós, os moradores, e a gestão que não sabe ser eficiente. Não quero aqui entrar no âmbito político, de governo ou oposição, falo como uma cidadã comum que vê (impossível não ver) as carências imensas que Fortaleza sofre. O fato é, a cidade continuou linda como sempre foi, com seus belos pontos turísticos, seu céu, seu clima quente e meio louco de começo de ano, suas brisas e sua gente. Mas a ela foi acrescentada todos esses problemas em maior porcentagem. Imagino minha Fortaleza sem essa violência, sem seu sistema de saúde precário, sem sua falta de estrutura para receber uma chuva, dentre muitas outras coisas. Seria maravilhosamente perfeita, mas hoje ainda é utopia. Mas eu sou otimista, e sempre tento ver um lado bom. Essa cidade é, apesar de tudo, linda, cheia de gente linda também, linda especialmente por dentro, que amenizam um pouco essa tristeza de ver como ela está. E hoje, ela completa 288 anos. Apesar de tudo e por tudo, parabéns, Fortaleza!

sábado, 5 de abril de 2014

Meu querido Jornalismo...

Olá Jornalismo,
Escrevo essa carta como forma de agradecimento.
Na minha infância, eu não te conhecia bem, mas sempre gostei de te ver na TV, pelas vozes dos âncoras nos telejornais. Fui crescendo e esse meu gosto por você continuou, e aumentou cada vez mais. Uma paixão tomou conta de mim. Decidi que queria você para a minha vida, para andar ao meu lado, para me ajudar a conquistar meus sonhos. Passei a imaginar minha vida sempre contigo.
Com essa certeza, porém, por vezes pensei se queria mesmo você comigo, pensei em não ficar contigo, em te largar por, talvez, Filosofia, História ou Letras. Mas percebi que o que sentia por eles era apenas admiração, e que na verdade, minha grande paixão era você.
Sempre ouvi boatos que você por vezes poderia ser traiçoeiro, um pouco difícil de lidar, e que não traria felicidade financeira. Isso nunca foi uma barreira para o meu desejo, pois essas coisas, na verdade, são o que menos importam quando se está com quem gosta de verdade, não é?
Foi por isso que não desisti da minha decisão. O primeiro passo do nosso relacionamento foi em 2012, quando te encontrei na UFC. E finalmente começamos nossa história de amor. Ainda tivemos uma grande período de paixão, onde descobri suas qualidades, seus defeitos, e a forma de lidar com você. Como todo relacionamento, tivemos alguns momentos desagradáveis, mas foram muito poucos, e a paixão sempre falou mais forte. E como todo sentimento que muda, essa semana noivamos, na Tribuna do Ceará, do Sistema Jangadeiro, e a paixão antiga está se concretizando em amor. Estou muito feliz contigo. Tô curtindo nosso noivado, e já pensando no nosso casamento. Como será que vai ser, hein? E onde? Estou aguardando ansiosamente.
Um beijo enorme, meu querido!

terça-feira, 1 de abril de 2014

Cidade Grande?

Túnel da Avenida Perimetral, em Fortaleza
(Foto: Tribuna do Ceará)
Que espécie de cidade dita cidade grande, tem (aparente) estrutura para receber uma Copa do Mundo, mas não tem estrutura para receber uma chuva? A minha, como muitas outras no Brasil.
Mas a minha cidade, essa é singular. Todo ano, inacreditavelmente, existe o período de chuva. Que surpresa! Até parece mesmo uma surpresa, porque todo ano é a mesma coisa. Chuva, e seus milhares de desastres causados pela falta de estrutura de uma cidade grande. Ruas viram rios, calçadas viram buracos, tetos de hospitais desabam ao lado de pacientes. Aí entra mais um aspecto: a estrutura dos hospitais. Hospitais com teto desabando, com goteiras em cima de pacientes, com baratas passeando pelo recinto. (Veja os vídeos no final da postagem). Enquanto isso acontece, as propagandas do governo mostram a saúde de qualidade que os cearenses têm o privilégio de ter. Segurança então, essa é imbatível. Afinal, ser a sétima cidade mais perigosa do mundo não é nada demais, e como afirmam nossas autoridades, são dados inventados, afinal, mal existem assaltos, homicídios, estupros, latrocínios, tráfico e roubos em nossa cidade. Quanta invenção!
Um detento custa sete vezes mais que um aluno no estado. Quanta contradição...
São essas e muitas outras coisas, coisas que revoltam muito, que me fazem refletir sobre até que ponto chegamos e onde vai dar tudo isso, que me fazem pensar: o que seria uma cidade grande? Porque se na teoria é uma coisa, na prática, é completamente outra.