domingo, 22 de novembro de 2015

Os Garotos dos Olhos Negros - Lenda Urbana ou Verdade?

Foto: Portal Terra/Reprodução
Um dos apelidos "carinhosos" que me colocaram foi um tal de Pimpim. Poucas pessoas sabem e me chamam assim. O motivo do apelido é por algo bem peculiar: o fato de eu ser muito "assombrada" com tudo. Até que um dia Dona Graça, em um desses meus assombros, me chamou de Pimpim. Quem é Pimpim? Não cheguei a conhecer, mas era uma senhora que se assustava com tudo. Vez ou outra me chama assim...

Hoje meu lado Pimpim apareceu sendo canalizado para um lado da curiosidade. Estava assistindo o Canal History, que em certo momento falava da lenda urbana dos Garotos de Olhos Negros. O que me chamou atenção foram os diversos relatos em lugares diferentes que coincidem em muitos pontos. O que mais se destaca é que essas crianças têm os olhos totalmente negros. Mas não apenas as pupilas, e sim o olho por inteiro. Todos os relatos falam de crianças entre 9 e 14 anos. Elas aparecem  pedindo alguma ajuda (dinheiro, carona, comida) ou querendo entrar na residência da pessoa que abordam. Elas não invadem nem fazem nenhum mal, mas têm uma energia muito pesada e assustadora, marcada pela frieza.

Quando crianças nos abordam, temos aquela vontade de ajudar de alguma forma. Mas com as crianças dos olhos negros a única vontade é de ficar bem longe delas, o mais rápido possível. Há milhares de relatos de encontros e avistamentos destas Black Eyed Children. Alguns viraram caso de polícia, com investigação de Lee Brickley, como na cidade de Cannock Chase, em Staffordshire, Inglaterra.

Esse caso que ocorreu na Inglaterra saiu em diversos jornais do mundo. Relatos no jornal Daily Mirror e Huffington Post apontaram que o fantasma teria regressado 30 anos após sua última aparição. As últimas descrições feitas da menina dizem que as órbitas do seus olhos eram negros como minas de carvão, exatamente como foram detalhados na década de 1980. No último relatório que Brickley recebeu, um homem contava que estava caminhando com a esposa e o cão em Cannock Chase quando ouviu a risada da menina. Então, a garotinha que não tinha olhos apareceu na frente do casal, com a cabeça inclinada para o lado, como se ela tivesse sido enforcada. A criança ficou parada diante deles por cinco minutos e desapareceu entre as árvores.

Foto: Mega Curioso/Reprodução
Outro relato do caso de Cannock Chase é de uma mulher que narrou sua experiência que aconteceu em julho de 2013. Kelly disse que estava caminhando com a filha em Birches Valley, quando elas ouviram os gritos de uma criança. A dupla correu em direção ao barulho e quando parou para recuperar o fôlego se deparou com o fantasma, uma menina de mais ou menos 10 anos, com as mãos deitadas sobre os olhos. Kelly perguntava se a criança estava bem quando foi surpreendida pelos olhos negros e fundos. Ainda de acordo com o relato, ela pegou a filha no colo e quando olhou para a assombração novamente, ela havia sumido.

Atualmente os casos que relatam possíveis aparições aumentaram bastante, mas eles existem desde os anos 80. Um caso aconteceu com um jornalista americano em 1996, que apareceu nesse programa que assisti no Canal History.  Brian Bethel descreveu seu encontro aterrorizante com duas destas estranhas entidades:

"Houve uma batida na janela do meu carro, bem ao lado do motorista. Dois meninos jovens, em algum lugar entre nove a 12 anos de idade e vestidos com moletom bordado, estavam parados do lado de fora. Eu abri a janela um pouco, antecipando um discurso para negar esmola que pensei que iam pedir, mas fui imediatamente inundado por um incompreensível pavor, que senti bem na alma. Eu não tinha ideia do porquê senti tanto medo no momento. Ambos os meninos olharam para mim com os olhos negros como carvão. O tipo de olhos que se vê nos filmes sobre aliens ou vampiros. Eram como duas órbitas oculares vazias, sem alma, como duas grandes faixas de noite sem estrelas."

Os relatos são muitos. Alguns deles:

Você tem que me deixar entrar: "Antes da minha experiência, eu nunca tinha ouvido falar de qualquer coisa que tenha a ver com essas tais crianças de olhos negros. Eu tinha 12 anos e estava sentado dentro de uma velha caminhonete Chevy, do lado de fora de um cabeleireiro, esperando minha mãe que estava cortando o cabelo. Cerca de 15 minutos se passaram e eu vi um garoto andando para trás e para frente ao longo da calçada na frente do meu carro estacionado. No começo eu pensei que o reconheci como um dos meus amigos de escola, então eu bati no pára-brisa dianteiro até que ele olhou em minha direção. Não era ninguém que eu conhecia. Neste momento eu não estava com medo. Ainda não. O menino caminhou até o meu lado e apenas ficou me encarando. Acho que ele me deixou dar uma boa olhada em seus olhos. Para me assustar, talvez. Deixe-me dizer-lhe que se você nunca viu um garoto de olhos pretos.. Você não tem ideia do que é. As pupilas eram negras como o céu noturno. O menino sussurrou "Você tem que me deixar entrar", e então eu tranquei as portas do carro e me abaixei entre os espaço abaixo dos assentos. Cinco minutos depois ele foi embora. Quando minha mãe entrou no carro, ela me disse um menino com olhos negros tinham entrado na cabeleireira e insistido para minha mãe dar-lhe as chaves do carro."
 

Podemos usar o seu telégrafo?: "Assim que eu entrei em sono profundo, ouvi uma pancada vindo da varanda da frente. Assustado no começo eu abri meus olhos e fiz a varredura do ambiente. Percebendo que era provavelmente o meu gato afiando as unhas na varanda da frente, eu tentei voltar a dormir. Então, novamente, as batidas... Eu saí da cama para ver do que se tratava e não havia nada lá... 


Poucos minutos [mais tarde] eu senti uma súbita vontade de olhar para a janela da cozinha, e lá estavam eles. Eu via o topo de duas cabeças. Quem quer que estivesse lá era pequeno o suficiente para que eu não pudesse ver totalmente da janela, apenas o topo de suas cabeças. Eu estava bravo, pensando se tratar de algum tipo de brincadeira, então eu fui para a cozinha, e abri a porta pronto para correr atrás deles e dar uns belos chutes em suas bundas. Quando eu abri, estavam lá, me encarando, dois meninos de no máximo 10, 11 anos. Um sentimento de medo e o cheiro de mofo que exalavam quase me fez vomitar. O menor dos dois então falou "Podemos usar o seu telégrafo?" Hã? Eu só olhava fixamente para estes meninos, horrorizado até que então percebi. Seus olhos eram negros. Ele pediu novamente para usar o meu "Telegrafo". 

Não havia qualquer som na rua. Sem grilos cantando, sem cães latindo, sem carros. Nada. Eu tentei me manter calmo e ignorar o fato de que ele não disse telefone, ou celular, ou qualquer coisa que teria feito sentido na situação e calmamente respondi: "Eu não tenho telegrafo na minha casa." as expressões em seus rostos se transformaram em raiva, assim que terminei minha frase."


 
O fato é que  é que ninguém sabe quem são esses seres, sua origem, o porquê desses olhos e nem se tudo isso é real. Mas que é estranho, é. As hipóteses são muitas e os relatos são numerosos, além de parecidos. Não sei se tudo isso é também só meu lado "Pimpim" que está aguçado hoje! Só sei que se esses supostos seres aparecessem na minha frente eu sairia correndo feito louca.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

O amor pela natureza que vai além da necessidade de preservar

Pico Alto, em Guaramiranga: um dos lugares que mais amo.
Hoje é o Dia da Ecologia e Dia Mundial do Meio Ambiente. Naturalmente, hoje pensei muito mais sobre o assunto. Mas a reflexão que me veio à mente foi um pouco diferente.

A natureza sempre me representou mais que apenas algo essencial para nossa sobrevivência e que devemos preservar para ficarmos vivos. Natureza pra mim é a conexão mais próxima com Deus e comigo mesma. A sensação que eu sinto quando entro numa cachoeira, quando faço uma trilha, quando observo o céu, quando entro no mar... não consigo explicar. Ao mesmo tempo que aquilo é a coisa mais simples possível, é também a coisa mais grandiosa. Simplesmente porque não tem dinheiro que pague essa sensação, tutorial que ensine como amar um lugar desse, nem programa de televisão com os melhores cientistas que me explique o porquê dessa conexão tão linda e mágica. Parece que quando você se desconecta de tudo que existe lá fora, você se conecta consigo mesmo e com o que a vida tem de mais inefável.

O meu respeito pela natureza vai além do que todo mundo sabe como básico para sobreviver e da necessidade da preservação. Vem dessa minha admiração, desse meu amor por tudo que é parte dela. Para mim, o melhor energético não é Red Bull, mas deitar numa pedra no meio da serra, entrar nas águas geladas de uma cachoeira. A melhor forma de ficar alegre pra mim não é ir pro shopping comprar o que eu tanto quero (apesar de gostar muito rs), mas quando algo me desperta e diz: Thamiris, tu não tem do que reclamar nessa vida! A natureza me traz esse despertar. Como algo tão simples pode ser indiscutivelmente a coisa mais bela? Só mesmo a natureza.

Saint-Pierre fala por mim: A natureza é grande nas coisas grandes e grandíssima nas pequeninas.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Morrer de amor? De jeito nenhum! Amor não é morte. É vida

Sempre lemos lindas e arrebatadoras frases de amor que parecem grandes provas do maior sentimento, mas no fundo, se assemelham mais com sentenças de morte. "Não respiro sem você". "Sem você não sei viver". "Sem você, não sou nada". "Sou totalmente dependente do seu amor, você é minha vida"... e por aí vai. Eu sempre penso: será que isso é mesmo amor?
E não, não sou antirromântica. O amor é a coisa mais linda do mundo, e acho muitas vezes fofo o que chamam de "breguices românticas" e choro em filmes do gênero...

Mas sempre pensei no amor de uma forma diferente. Por isso também fico triste quando vejo conselhos e desabafos por aí dizendo que o amor não presta, que não vale o esforço, que só machuca. Será que essa culpa toda é mesmo do amor? Ou de nossas imperfeições, erros, egoísmos e orgulhos?
O amor é um único sentimento. Então não faz sentido ele ser incrível para uns e um terror para outros. O que muda não é o sentimento. Amor será sempre amor. E todos nós, no fundo, mesmo que inconscientemente, sabemos o que é, e que vale muito a pena. O que muda de uma relação para outra é a forma de cada um lidar, de cada um enxergar e proceder.

Se me perguntassem o que é amor, eu não saberia explicar. Mas acredito que independente da forma que é manifesto, seja amor de um casal, de um pai pra filho, de um amigo para outro, será um sentimento de querer-bem-e-acima-de-qualquer-coisa ao outro. É ficar feliz em fazer feliz, em ver feliz.

Mas, voltando às declarações de amor "quase morte" que falei no começo, penso que o amor não causa essa dependência. Senão, não seria um sentimento perfeito. E ele é. Mas, um amor que existe antes de qualquer outro, é o amor próprio. Não aquele que muitos parecem confundir com egoísmo e narcisismo, como se seu querer fosse a coisa mais importante do mundo, e os outros que se virem, que se lasquem, porque você está satisfazendo seus próprios desejos. Não é passar por cima dos outros e das coisas alheias. É um amor próprio sinônimo de autoconhecimento. De tentar conhecer, o máximo possível, seus defeitos e suas qualidades, o que faz e o que não faz bem a você, as situações que te levam pra frente ou que te atrasam, as companhias que vão lhe impulsionar e as que vão lhe atrasar. E se amar, independente do saldo de tudo isso. Querer seu bem e se completar.

Esse é o ponto: se completar. Estar bem mesmo se estiver sozinho. Claro que ninguém é feliz na solidão, já diz a canção que "é impossível ser feliz sozinho". Mas, quando esse amor por si mesmo existe, está ali dentro de nós, nos acompanhando, as relações mudam. Aquela dependência extrema não existe. O outro não te sustenta, te complementa. Te acrescenta, não supre. A relação é muito mais saudável. Se por algum motivo a relação é rompida, há o sofrimento (óbvio!), a falta, a saudade. Mas não é o fim! Você sempre tem você. E o tempo, ah... esse é soberano! Nada como o tempo: curador, renovador, rei! O amor não mata, constrói!

Pra finalizar, uma frase do maravilhoso Oscar Wilde resume tudo: "Amar a si próprio é início de um romance para toda a vida". E ainda diria mais: é para além da vida.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

É válido mudar por alguém?


Todo dia é diferente do outro. Uns amanhecem ensolarados, outros mais chuvosos. Mesmo um dia chuvoso não é igual a outro chuvoso. Uma folha diferente cai, um vento mais forte sopra ou deixa de soprar. Mesmo que, hipoteticamente, um dia possa ser climaticamente igual ao outro, a gente sempre observa e sente diferente. Porque hoje eu sou diferente do que fui ontem. Todo dia é diferente, todo dia a gente muda. Milimetricamente. Pode ser o humor, o sentimento, a vibe, a preocupação, a falta dela. "Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia", já cantava Lulu Santos.

Mas a gente também muda, e muito. Não essa simples mudança de humor, de um dia estar alegre, e no outro triste, com preguiça ou com empolgação. Digo a nossa essência. O nosso jeito, repleto de defeitos e qualidades, que se nem nós mesmos costumamos conhecer e dimensionar, imagine, então, os outros.

Quando se pensa como se era há dois, três anos atrás, a gente nota. Uma reação à uma situação que hoje faríamos diferente. Se pra pior ou melhor, tanto faz, mas faríamos muita coisa diferente. Por vezes dá até aquela vergonha no íntimo: como eu pude agir assim? Ah, se fosse hoje...
Um fato que se constata é que essa mudança costuma acontecer por causa de situações adversas que nos fazem repensar, ou até mudar automaticamente, como se a mente e o corpo dissessem: Assim não dá mais. Mas é um acordo entre você e o maior conhecedor de você mesmo: você mesmo.

Eis o ponto que quero chegar: vale a pena mudar por causa de alguém? Ou, ainda: é possível mudar, REALMENTE, por causa de alguém? Me refiro a situações como um namorado que te diz: se você não mudar esse seu ciúme, acaba tudo. Sua mãe quando diz: se você não parar de chegar tarde das festas, não mora mais aqui. Seu irmão que te ameaça: se você não for mais compreensiva comigo, não te dou carona pra faculdade. Me parece que essas mudanças "emergenciais", quase que chantagens, não são reais. Se acontece de você "mudar", na verdade, não passa de uma máscara temporária. O namoro acaba, mas eis que no novo namoro o ciúme ainda prejudica. Você vai morar com os seus avós, e com um certo tempo, já está chegando sempre tarde em casa. Você ganha as suas caronas, mas mês que vem já as perde de novo pela insistente falta de compreensão.

A mudança, aquela real, acontece por você e com você. Porque VOCÊ percebe que assim não dá. Que quer viver melhor consigo mesmo e com os outros. Quer relações mais leves, mais fluidas, mais gostosas de se sentir. Não é pura birra de algumas pessoas que dizem: 'Sou assim e não mudo por ninguém. Quem quiser que me aguente. Os incomodados que se retirem'. E acredite, eles se retiram, mais cedo ou mais tarde. Não só as pessoas, mas sentimentos bons, momentos especiais. Falo dessa mudança que não acontece do dia para a noite e nem por ninguém. O outro pode te impulsionar, te inspirar, te mostrar o quanto vale a pena investir nisso. Mas sempre foi e sempre será entre você e seu maior confidente, que tanto te quer bem: você!

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Ser Grato de Verdade

Amanheceu. Você planejou desde semana passada que hoje ia ser um dia na praia, mas, choveu! Você pode ficar com raiva da vida, de tudo, de todos, ou ser grato de verdade e agradecer por ter esse par de olhos que te fizeram ver que hoje fez chuva, ao invés de sol.

Está na hora de pegar aquele ônibus lotado, e quando você consegue finalmente sentar em um assento, a pessoa do lado não para de falar alto ao telefone, despejando todos seus problemas de vida. Você pode ficar com raiva da vida, raiva daquela pessoa extremamente mal-educada que não tem o mínimo senso de convivência em ônibus lotados, ou ser grato de verdade por ter condições de entrar em um transporte coletivo, ter pernas para sentar nesse assento e audição para ouvir em alto e bom som todos aqueles problemas.

Mais um dia cansativo de trabalho se passou, e você chega em casa acabado, sem energias, sem forças, extremamente explorado por todos esses políticos corruptos que te fazem pagar altos impostos e te fazem trabalhar incansavelmente, ou ser grato de verdade por ter um trabalho, uma energia para ser gasta, uma força para ser exaurida, um lugar para voltar ao final do expediente.

Você acabou de ver mais uma edição do Jornal e ficou muito indignado de todo dia ter que assistir apenas notícias ruins, de viver neste mundo perdido pela maldade e falta de escrúpulos, ou ser grato de verdade por saber que o mundo precisa melhorar e que você é um ser perfeito com condições de começar essa mudança dentro de você, dentro da sua casa, do seu trabalho, e irradiar essa transformação.

Ser grato de verdade não é só agradecer por tudo que nos aparece de forma positiva, fácil de ser agradecido e amado. É fácil ser grato por uma mãe que está sempre ao seu lado, te dando apoio em todas as situações. É fácil ser grato por mais um dia de sol que como prometido, amanheceu para ser curtido na praia. Ser grato de verdade, é buscar o lado bom das coisas que se apresentam como aparentemente ruins, adversas, irritantes. Ser grato de verdade é ter a mente aberta para perceber que tudo que acontece em nossas vidas, sejam acontecimentos com roupagens boas ou ruins, são colocados em nosso caminho para que possamos aprender, evoluir, e sermos gratos de verdade!

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Pelo direito de curtir a vida de uma forma diferente

Tenho certeza que, pelo menos uma vez, você já se deparou com um conselho ou uma frase por aí que dizia: A vida é curta! Temos que curtir a vida. Vá viver, curtir! 
Mas o que seria "curtir" a vida? Posso estar errada, mas as definições que me apareceram foram limitadas a: ir para todas as festas possíveis, beijar o máximo de pessoas que você puder, extravasar toda a juventude e as loucuras que ela pode proporcionar. Se você é jovem, e não faz nenhuma dessas coisas, você é, além de careta e estranho, uma pessoa que não está curtindo a vida. A única exceção "perdoável" seria se você namorasse. Afinal, hoje em dia, namoro parece mais um casamento. A maioria dos casais "ficam" durante muito tempo, o pedido de namoro é adiado o máximo possível, quase como um casamento. Uma decisão muito bem planejada, quase irreparável. Muitos casais "ficam" durante muito tempo, trocam intimidades, compartilham seus momentos e sentimentos, constroem coisas juntos, e nunca chegam a namorar. Não que o título pressuponha o valor de uma relação, mas me refiro ao fato de o namoro e seu sentido parecerem perdidos e raros.

Pois bem, então curtir a vida seria isso? Eu, cá comigo, penso um pouco diferente. Curtir, em um de seu significados, é desfrutar de algo com prazer. Mas prazer é relativo. É pessoal, subjetivo. O que me dá prazer, pode ser diferente do que dá prazer ao meu amigo. Existem várias formas e tipos. Então porque uma pessoa é vista como estranha e antissocial, se o tipo de prazer que ela prefere não se "encaixa" nos padrões ditos modernos?
Alguém que alcança prazer ao ler, assistir filmes, estar em casa com familiares, fazer coleção de qualquer-coisa-que-ela-goste, preparar pratos deliciosos, está, do seu jeito, curtindo a vida. Está procurando nesses pequenos momentos, um bem-estar, diante de problemas, correria e trabalho que ocupam ou possam ocupar a maioria de seu dia. E vem alguém dizer a essa pessoa: Você é tão novo, vá curtir a vida!
Mal sabe que sim, ela está, talvez até mais que os outros.
E curtir a vida, ao contrário do que parecer sido colocado em nossas mentes, não se restringe aos anos de juventude. Por isso que intensificam tanto esse conselho, como se o aproveitar a vida só pudesse ser alcançado com êxito nas duas ou três primeiras décadas de vida. Mas cada idade tem seu prazer, seu aprendizado, seu curtir. Que não é mais intenso ou mais fraco de acordo com a idade. Será de acordo com o modo de cada um ver e aprender com a vida.
E respeitemos todos os modos de curtir a vida. E viva aqueles modos em que o amor está presente. Como princípio, meio e fim.

sábado, 7 de junho de 2014

Pelo direito de gritar "Gol" na Copa, sem me sentir culpada ou ser chamada de alienada

Não é fácil ver o nosso país , o país onde eu moro, com suas diversas mazelas, com toda a corrupção e mil problemas que todos nós sabemos quais são. Todos os dias, quando saio para trabalhar e estudar, saio com medo de ser assaltada e com pertences muito bem escondidos; e olhe lá! Só levo o que é realmente necessário. Tenho medo quando faço meu percurso a pé, medo de ser abordada por ladrões, como já fui algumas vezes, inclusive. Dói saber dos enormes problemas na educação, das escolas precárias, da falta de escolas, do ensino básico precário. Dói ver crianças e adultos nas ruas, sem um prato de comida e um colchão para descansar. Eu também SINTO o problema do Brasil, suas carências em muitos aspectos. Nós pagamos uma quantidade absurda de impostos todos os dias, dinheiro esse que nossos governantes deveriam aplicar naquilo que prometeram durante as campanhas eleitorais. Não sou filiada a nenhum partido ou corrente ideológica, critico um fato real independente de posição política: o governo é péssimo, as condições são penosas. O dinheiro público, quando investido, é pessimamente aplicado. Gastos exorbitantes, desvios de verba, prazos que são quase sempre utopia. 

Mas eis que uma Copa do Mundo será realizada no Brasil, com todas essas condições. Estádios construídos e reformados custando valores exorbitantes, por cima de grandes mazelas sociais que deveriam ser prioridade. Mas deveriam ser prioridade DESDE sempre, e não apenas porque vamos receber esse evento. Há dinheiro suficiente para fazer e mudar muita coisa, o problema é que isso não é feito. Mas toda essa crítica, todos esses protestos, não devem ser feitos contra a SELEÇÃO, contra o evento Copa do Mundo, que existe há muitos anos, mas contra o governo brasileiro, contra a má gestão, contra toda a sujeira cometida usando os cofres públicos, por cima de todas as necessidades sociais.

Eu não sou contra a Copa, sou contra tudo isso que falei. Por isso que eu digo, VAI TER COPA, e eu vou gritar gol quando o Brasil o fizer. Vou me vestir com as cores, vibrar, gritar, roer as unhas, ficar nervosa e eufórica, como sempre fiz, porque além de tudo, sempre gostei de futebol. Sou admiradora dos esportes. Desde pequena jogava futebol com amigos, passei a jogar no colégio, sempre torci pelo Flamengo. Futebol sempre mexeu comigo. Sempre tive essa paixão. Acompanhei as copas desde que me entendo por gente. Acordava até de madrugada naquela copa de 2002, no Japão, para não perder nenhum jogo. E eu tinha 8 anos. Lembro como se fosse hoje da felicidade de ver o Brasil Penta. Alegria de criança, literalmente. Esporte aliás, é um ótimo negócio: diminui a violência, tira crianças das ruas, promove diversos benefícios. Por isso, quando eu gritar gol, falar que Vai Ter Copa, entenda: não sou alienada, não sou cega para as milhares de deficiências presentes de forma bem clara no nosso país. Não vou protestar, vou estar em casa torcendo, e nas ruas trabalhando. Meu protesto vai ser na urna, e vou continuar reclamando e sofrendo com as péssimas condições da nossa nação. Mas vou torcer, e muito. Quero ver o Brasil hexa. Estou muito ansiosa, inclusive.