Tenho certeza que, pelo menos uma vez, você já se deparou com um conselho ou uma frase por aí que dizia: A vida é curta! Temos que curtir a vida. Vá viver, curtir!
Mas o que seria "curtir" a vida? Posso estar errada, mas as definições que me apareceram foram limitadas a: ir para todas as festas possíveis, beijar o máximo de pessoas que você puder, extravasar toda a juventude e as loucuras que ela pode proporcionar. Se você é jovem, e não faz nenhuma dessas coisas, você é, além de careta e estranho, uma pessoa que não está curtindo a vida. A única exceção "perdoável" seria se você namorasse. Afinal, hoje em dia, namoro parece mais um casamento. A maioria dos casais "ficam" durante muito tempo, o pedido de namoro é adiado o máximo possível, quase como um casamento. Uma decisão muito bem planejada, quase irreparável. Muitos casais "ficam" durante muito tempo, trocam intimidades, compartilham seus momentos e sentimentos, constroem coisas juntos, e nunca chegam a namorar. Não que o título pressuponha o valor de uma relação, mas me refiro ao fato de o namoro e seu sentido parecerem perdidos e raros.
Pois bem, então curtir a vida seria isso? Eu, cá comigo, penso um pouco diferente. Curtir, em um de seu significados, é desfrutar de algo com prazer. Mas prazer é relativo. É pessoal, subjetivo. O que me dá prazer, pode ser diferente do que dá prazer ao meu amigo. Existem várias formas e tipos. Então porque uma pessoa é vista como estranha e antissocial, se o tipo de prazer que ela prefere não se "encaixa" nos padrões ditos modernos?
Alguém que alcança prazer ao ler, assistir filmes, estar em casa com familiares, fazer coleção de qualquer-coisa-que-ela-goste, preparar pratos deliciosos, está, do seu jeito, curtindo a vida. Está procurando nesses pequenos momentos, um bem-estar, diante de problemas, correria e trabalho que ocupam ou possam ocupar a maioria de seu dia. E vem alguém dizer a essa pessoa: Você é tão novo, vá curtir a vida!
Mal sabe que sim, ela está, talvez até mais que os outros.
E curtir a vida, ao contrário do que parecer sido colocado em nossas mentes, não se restringe aos anos de juventude. Por isso que intensificam tanto esse conselho, como se o aproveitar a vida só pudesse ser alcançado com êxito nas duas ou três primeiras décadas de vida. Mas cada idade tem seu prazer, seu aprendizado, seu curtir. Que não é mais intenso ou mais fraco de acordo com a idade. Será de acordo com o modo de cada um ver e aprender com a vida.
E respeitemos todos os modos de curtir a vida. E viva aqueles modos em que o amor está presente. Como princípio, meio e fim.


