Sempre lemos lindas e arrebatadoras frases de amor que parecem grandes provas do maior sentimento, mas no fundo, se assemelham mais com sentenças de morte. "Não respiro sem você". "Sem você não sei viver". "Sem você, não sou nada". "Sou totalmente dependente do seu amor, você é minha vida"... e por aí vai. Eu sempre penso: será que isso é mesmo amor?
E não, não sou antirromântica. O amor é a coisa mais linda do mundo, e acho muitas vezes fofo o que chamam de "breguices românticas" e choro em filmes do gênero...
Mas sempre pensei no amor de uma forma diferente. Por isso também fico triste quando vejo conselhos e desabafos por aí dizendo que o amor não presta, que não vale o esforço, que só machuca. Será que essa culpa toda é mesmo do amor? Ou de nossas imperfeições, erros, egoísmos e orgulhos?
O amor é um único sentimento. Então não faz sentido ele ser incrível para uns e um terror para outros. O que muda não é o sentimento. Amor será sempre amor. E todos nós, no fundo, mesmo que inconscientemente, sabemos o que é, e que vale muito a pena. O que muda de uma relação para outra é a forma de cada um lidar, de cada um enxergar e proceder.
Se me perguntassem o que é amor, eu não saberia explicar. Mas acredito que independente da forma que é manifesto, seja amor de um casal, de um pai pra filho, de um amigo para outro, será um sentimento de querer-bem-e-acima-de-qualquer-coisa ao outro. É ficar feliz em fazer feliz, em ver feliz.
Mas, voltando às declarações de amor "quase morte" que falei no começo, penso que o amor não causa essa dependência. Senão, não seria um sentimento perfeito. E ele é. Mas, um amor que existe antes de qualquer outro, é o amor próprio. Não aquele que muitos parecem confundir com egoísmo e narcisismo, como se seu querer fosse a coisa mais importante do mundo, e os outros que se virem, que se lasquem, porque você está satisfazendo seus próprios desejos. Não é passar por cima dos outros e das coisas alheias. É um amor próprio sinônimo de autoconhecimento. De tentar conhecer, o máximo possível, seus defeitos e suas qualidades, o que faz e o que não faz bem a você, as situações que te levam pra frente ou que te atrasam, as companhias que vão lhe impulsionar e as que vão lhe atrasar. E se amar, independente do saldo de tudo isso. Querer seu bem e se completar.
Esse é o ponto: se completar. Estar bem mesmo se estiver sozinho. Claro que ninguém é feliz na solidão, já diz a canção que "é impossível ser feliz sozinho". Mas, quando esse amor por si mesmo existe, está ali dentro de nós, nos acompanhando, as relações mudam. Aquela dependência extrema não existe. O outro não te sustenta, te complementa. Te acrescenta, não supre. A relação é muito mais saudável. Se por algum motivo a relação é rompida, há o sofrimento (óbvio!), a falta, a saudade. Mas não é o fim! Você sempre tem você. E o tempo, ah... esse é soberano! Nada como o tempo: curador, renovador, rei! O amor não mata, constrói!
Pra finalizar, uma frase do maravilhoso Oscar Wilde resume tudo: "Amar a si próprio é início de um romance para toda a vida". E ainda diria mais: é para além da vida.

Amor, amor e muito amor! <3
ResponderExcluirA saudade gostosa que aquece o peito e faz com que o olhar flerte com o relógio à espera de hora de encontrar a pessoa amada, aquele rosto que nos vem a mente quando estamos sozinhos. O amor sabe conviver com distância, com o tempo; ele é parte da vida e não a reivindica completamente para si. Sem ser meloso demais, é como o açúcar, que torna mais doce na vida, dando o toque que faltava.